segunda-feira, 1 de junho de 2020

Explicando o coronaboard (3) - Gráficos, parte II

Continuando a explicação do coronaboard.

Há dois gráficos com os casos registrados e óbitos. Os dados de cada dia são representados pelas barras e as linhas são as médias móveis de sete dias. Pode-se perceber que a linha forma um pico nos óbitos. Caso ela se estenda sem cair será um platô.



Ao lado dos gráficos dos casos e óbitos do Brasil hás pequenos gráficos (sparklines), com os óbitos diários de cada unidade da federação. As linhas são as médias móveis de sete dias, iniciadas a partir do dia em que foi contabilizado o trigésimo caso em cada UF. O ponto azul nas linhas representa o maior valor registrado até a data.
É importante observar a trajetória de cada curva, Deve-se analisar cada uma tendo como referência os valores dos óbitos acumulados da tabela do alto do dashboard. Em algumas UFs, dado o número relativamente pequeno de óbitos, a curva pode ser enganosa, se olhada isoladamente.

Por exemplo, os estados do Centro-Oeste apresentam poucas mortes no total, mas as linhas apontam em geral altas e/ou picos. No entanto, ao se ver o número de óbitos diários em cada um a situação muda de perspectiva. Goiás e Mato Grosso apresentam ao redor de quatro óbitos diários e o Distrito Federal, oito. Na região Norte, com exceção de Amazonas e Pará, os estados também não chegam a dez óbitos diários. Na região Sul, a média móvel é de cinco óbitos por dia em cada estado, o que dá outra dimensão para os picos em Santa Catarina e Paraná.

Entre os estados com maiores números de mortes, percebe-se que o Amazonas está com uma tendência cadente, enquanto Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo e Maranhão parecem começar a diminuir depois do pico. No Pará, as oscilações são tão grandes de um dia para o outro que qualquer avaliação se torna prematura.

Mais abaixo está o gráfico de crescimento de casos e óbitos. Os pontos representam os dados calculados para cada dia e as linhas são a média móvel, azul para casos e laranja para óbitos.

O crescimento é calculado com o número de registros (casos e óbitos) dividido pelo acumulado até a véspera, expresso em porcentagem. Quanto maior o valor, pior, pois significa que o acúmulo se dá em menos tempo. Assim, um valor de 10% representa que no dia d houve um registro para cada 10 acumulados até a véspera. Em termos práticos, significa que o total de registros dobraria em sete dias, aproximadamente.  Se o valor é de 3%, isso significa dobrar a cada 24 dias. Para ser preciso, a velocidade do crescimento é dada por registros/dia e esse cálculo revela a aceleração: registros/(dia ao quadrado).

Nota-se que a aceleração está menor no número de óbitos do que nos casos. Essa constatação é contra-intuitiva, pois a queda nos casos deveria anteceder os óbitos. O motivo, aparentemente, é o aumento do número de testes que gera um maior número de registros. O mesmo fenômeno foi observado em outros países, como Suécia, Países Baixos e Argélia. A redução da aceleração do número de óbitos no patamar atual indica o final do período de crescimento, com a formação do pico ou de um platô.



O outro gráfico é da taxa de letalidade - ou das taxas de letalidade, pois há para todos os gostos. Estritamente falando, só se sabe a taxa de letalidade ao final de uma epidemia. Durante o seu transcorrer há diversas maneiras de estimá-la - e todas elas tendem a superestimar os valores.

A forma mais simples é a "taxa de letalidade aparente", que é simplesmente a divisão do número de óbitos pelos casos (em cinza no gráfico). Seu problema básico é que relaciona óbitos e casos correntes, quando há um intervalo entre a identificação de um caso e o óbito resultante. Por isso, uma forma mais precisa de calcular é pela relação dos óbitos até uma data com os casos registrados em um período anterior. No caso, a linha laranja mostra a divisão dos óbitos com os casos registrados até sete dias antes. Uma terceira forma de calcular é considerando apenas os casos encerrados, seja pela recuperação ou óbito do paciente. É representada pela linha azul e calculada pela fórmula total de óbitos dividido pela soma dos pacientes recuperados com os falecidos.

Mais importante do que os valores é observar a tendência de cada linha e a tendência em conjunto. Ao final, as três linhas convergem para o mesmo valor. Nota-se que embora ainda distantes, todas estão em trajetórias declinantes, mais um sinal de que o pico foi atingido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Até onde vai o platô?

Um leitor perguntou ontem por e-mail: quanto tempo dura o platô? A r...