segunda-feira, 13 de abril de 2020

O tempo que leva para os óbitos igualarem os casos

Duas curvas andam quase em paralelo: os casos registrados e os óbitos. Com alguns dias de atraso, os óbitos alcançam o número de casos registrados. A se confirmar essa tendência, mais algumas semanas será atingido o patamar de um milhão de óbitos. No entanto, será essa uma relação constante ou quase constante?




Uma ressalva é que os critérios de registros de casos e óbitos não são uniformes e sujeitos a questionamentos (vide post abaixo). O número de casos registrados depende da quantidade de testes aplicados.
A observação das curvas dos países do intervalo para os óbitos atingirem o número de casos registrados dias antes revela um pouco mais. A figura abaixo mostra o intervalo de dias para os óbitos atingirem o número de casos registrados ao longo do tempo. O eixo horizontal mostra os dias após o primeiro óbito. O eixo vertical é o intervalo de tempo. As curvas representam as médias móveis de cinco dias de todos os países com mais de cinco mil casos registrados. O uso das médias móveis visa amenizar saltos nas curvas decorrentes dos eventuais registros anômalos ocorridos.


As curvas de quase todos os países apresenta uma característica: o intervalo é cadente no início, depois há uma estabilização e, por fim, uma subida rápida, com um intervalo cada vez maior até entre os casos registrados e os óbitos. Países que fazem mais testes apresentam um intervalo maior, mas a tendência é a mesma.
Cinco países foram destacados. Na China, após a última data que o número de óbitos alcançou o número de casos, já se passaram 77 dias sem que isso tornasse a acontecer. Na Coréia do Sul, já são 52 dias. Itália e Espanha, com 29 e 25 dias, respectivamente, começam a se afastar dos últimos intervalos registrados (26 e 20 dias). Pode não parecer muito, mas na Itália, os óbitos chegaram a igualar o número de casos registrados apenas quatro dias antes (na Espanha esse intervalo chegou a dez dias).
No Brasil, com poucos testes realizados, a curva do intervalo caiu até o 17º dia (com 14 dias em média de atraso entre o número de óbitos em relação aos casos) e depois começou a subir lentamente. Faz 23 dias dias que o número de casos não é igualado pelos óbitos. Porém, com muitas mortes ainda sob investigação é precipitado uma visão otimista.


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