Uma forma que seria mais apropriada é considerar:
- taxa de letalidade = (mortes no dia x) /( casos no dia x - t)
Se for adotado um tempo médio de 7 dias, o cálculo da taxa de letalidade do dia 6 de abril é o número de mortes no dia (67) dividido pelos casos registrados em 30 de março (4.579), que resulta em 12,1% - um valor bem superior ao divulgado, que tem como divisor os 12.056 casos em 6 de abril.
Uma alternativa é calcular a taxa de letalidade considerando apenas os casos que tiveram desfecho (óbito ou recuperação). Assim a taxa seria:
- taxa de letalidade = mortes/(mortes + recuperados)
Qualquer fórmula, porém, esbarra na deficiência de se saber quantas pessoas foram contaminadas - um valor impossível de se saber ao certo, entre outros motivos porque há casos assintomáticos e leves, que podem ser confundidos com uma gripe comum. Países que testam mais costumam apresentar um número maior de casos, mas não necessariamente de óbitos (vide post sobre a curva U da fatalidade - que aliás foi calculada com a fórmula convencional).
Feita a ressalva das restrições sobre os dados e limitações de cada método de cálculo, como vem se comportando a taxa de letalidade no Brasil? A figura abaixo compara as taxas de letalidade calculadas pela forma convencional (em cinza) e com a defasagem de sete dias (em laranja). A taxa convencional vem em uma crescente desde o primeiro óbito, passando de 0,9% para 4,6% no período. A taxa com defasagem começou em 2,9% e teve dois picos seguidos, quando ultrapassou 15%, em função do reduzido número de casos registrados. Com mais testes (e mais diagnósticos), ela caiu para menos de 9% e tornou a subir.
Para efeito de comparação, a taxa global de letalidade está em 5,5% (pelo método convencional) e 9,6% (considerando a defasagem).
| Fonte: Our World in Data, Ministério da Saúde, elaboração própria. |
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