segunda-feira, 6 de abril de 2020

Qual é a taxa de letalidade no Brasil?

A taxa de letalidade divulgada pelo Ministério da Saúde é de 4,6%. Essa taxa é a simples divisão de óbitos por casos registrados. No entanto, esse cálculo é útil ao final de uma epidemia, mas nem tanto enquanto ela está em curso. De fato, as mortes correntes estão relacionadas aos casos passados e não aos números atuais. Por causa disso, existem fórmulas alternativas.

Uma forma que seria mais apropriada  é considerar:

  •  taxa de letalidade  = (mortes no dia x) /( casos no dia x - t)
em que t é o período médio da confirmação do caso e o óbito.

Se for adotado um tempo médio de 7 dias, o cálculo da taxa de letalidade do dia 6 de abril é o número de mortes no dia (67) dividido pelos casos registrados em 30 de março (4.579), que resulta em 12,1% - um valor bem superior ao divulgado, que tem como divisor os 12.056 casos em 6 de abril.

Uma alternativa é calcular a taxa de letalidade considerando apenas os casos que tiveram desfecho (óbito ou recuperação). Assim a taxa seria:

  • taxa de letalidade = mortes/(mortes + recuperados)
Uma vantagem dessa fórmula é que não requer estimativa do tempo entre confirmação do caso e o óbito. No entanto, depende da apuração do número de recuperados. (Uma fórmula simples de estimar os recuperados seria o de contaminados que não faleceram em um determinado período.)

Qualquer fórmula, porém, esbarra na deficiência de se saber quantas pessoas foram contaminadas - um valor impossível de se saber ao certo, entre outros motivos porque há casos assintomáticos e leves, que podem ser confundidos com uma gripe comum. Países que testam mais costumam apresentar um número maior de casos, mas não necessariamente de óbitos (vide post sobre a curva U da fatalidade - que aliás foi calculada com a fórmula convencional).

Feita a ressalva das restrições sobre os dados e limitações de cada método de cálculo, como vem se comportando a taxa de letalidade no Brasil? A figura abaixo compara as taxas de letalidade calculadas pela forma convencional (em cinza) e com a defasagem de sete dias (em laranja). A taxa convencional vem em uma crescente desde o primeiro óbito, passando de 0,9% para 4,6% no período. A taxa com defasagem começou em 2,9% e teve dois picos seguidos, quando ultrapassou 15%, em função do reduzido número de casos registrados. Com mais testes (e mais diagnósticos), ela caiu para menos de 9% e tornou a subir.
Para efeito de comparação, a taxa global de letalidade está em 5,5% (pelo método convencional) e 9,6% (considerando a defasagem).

Fonte: Our World in Data, Ministério da Saúde, elaboração própria.
Para saber mais sobre cálculo de taxa de letalidade há uma página informativa no site Worldometer, de onde tirei várias informações.

Receba o CORONAdiário  

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Até onde vai o platô?

Um leitor perguntou ontem por e-mail: quanto tempo dura o platô? A r...