terça-feira, 12 de maio de 2020

Revendo as ondas

Algumas semanas atrás foi abordada a difusão em ondas pelo globo da pandemia. Naquela data, os países do sul da Europa e da Oceania eram os únicos que já estavam em queda pronunciada, enquanto os demais países da Europa Ocidental começavam a apresentar uma diminuição no número de óbitos. As demais regiões estavam em tendência crescente.
A tendência de queda segue no sul da Europa (basicamente Itália e Espanha) e nos demais da Europa Ocidental. Na Oceania, a epidemia está no final, com dias sem registro de novas mortes.Na América do Norte, há a diminuição de óbitos, embora em ritmo menos pronunciado.

Fonte: ECDC, análises CORONAdiário

A América do Sul e a América Central & Caribe, porém, destoam, como as únicas regiões com nítida trajetória de alta. Nas demais, há um platô com peculiaridades regionais. No Leste Europeu, houve um crescimento, mas se estabilizou, assim como na Ásia, em que houve um pico em meados de abril por causa do reconhecimento tardio na China de mais de mil mortes anteriores.

Fonte: ECDC, análises CORONAdiário

Na África, porém, a epidemia segue a passos lentos. Há diversas hipóteses para tal, como pode ser visto nessa matéria da BBC. Entre os motivos estariam o baixo nível de integração com o resto do mundo, a experiência regional de controle de epidemias, a adoção rápida de medidas preventivas  e por ser, em sua maioria,  uma população jovem. Não são explicações excludentes, mas complementares. Além disso, há a diferença de abordagem entre os mais de cinquenta países do continente, que vão da negação até o controle rigoroso, sem que se possa colocar tudo em um mesmo saco.
Os países mais atingidos (África do Sul, Argélia e Egito) são aqueles com mais contato com o restante do mundo. Na África Ocidental, as medidas para contenção de outras epidemias, como o ebola, puderam ser colocadas em prática contra a nova ameaça, além de contar com uma população acostumada a tais ações.

Na Ásia, cada região do continente apresenta um padrão diferente. O leste asiático (que inclui China, Japão e Coréia) foi a primeira região atingida, mas também onde se implementaram cedo medidas preventivas. Na Ásia Central (basicamente Irã, na divisão adotada), houve um surto cedo, mas em fase final. No Oriente Médio, o surto ocorreu posteriormente, mas o pico parece coisa do passado. No sudeste asiático (que inclui o subcontinente indiano), os números de óbitos por milhão são pequenos, em parte pelo divisor ser enorme, pois na região estão alguns dos países mais populosos do mundo, como Índia, Paquistão, Indonésia e Bangladesh. O número de mortes, porém, está em uma escalada, fazendo da área um potencial foco futuro da epidemia.

Fonte: ECDC, análises CORONAdiário

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