quinta-feira, 2 de abril de 2020

O absoluto e o relativo

Um problema de lidar com números absolutos está na comparação de dados de países com populações muito diferentes. Oito mortes em um país como San Marino, de 34 mil habitantes, é bem diferente do mesmo número na Bolívia, com 12 milhões de habitantes. Para contornar esta questão, usa-se um dado relativo, como casos (ou óbitos) por milhão de habitantes. Isto significa 0,7 mortes por milhão na Bolívia e 236 em San Marino - o maior índice do mundo.
Nota-se que isto gera outra distorção, pois um registro a mais ou a menos em um local pouco populoso tem um impacto grande, o que não ocorre se a população é maior. No caso de San Marino, que está muito longe de ter uma população de um milhão, um óbito a menos faria o índice cair para 206, ainda alto, mas o suficiente para perder o topo para a Itália. 
Com essa ressalva, na comparação vista no gráfico abaixo foram excluídos os países com menos de um milhão de habitantes. Cada país é representado por um círculo proporcional ao número de óbitos e os eixos indicam a população (em escala logarítmica) e os óbitos por milhão de habitantes.
A Itália lidera os dois rankings mórbidos, com 218 óbitos por milhão de habitantes (e 13 mil mortes),  seguida pela Espanha (10,2 mil óbitos e 194 por milhão). A proporção de mortes em relação à população dos dois países é muito superior a dos demais que, para facilitar a visualização, o eixo vertical do gráfico foi cortado.
Os outros países que se destacam são os suspeitos de sempre. Os Estados Unidos é o 16º da lista, mas chama a atenção pelo número absoluto, pois é o terceiro em mortes atribuídas à Covid-19. A China passaria despercebida em termos relativos. França, Reino Unido e Irã são outros pontos do gráfico que atraem a vista.
Entre os países da Europa Ocidental, um destaque é a Alemanha, porém pelo motivo oposto. Apesar de ser o mais populoso da região, apresenta números bem menores (no total e proporcional) que seus vizinhos em óbitos. As causas dessa discrepância serão avaliadas em outro post.
Nota-se também dezenas de países quase invisíveis pelo reduzido número de casos e, em geral, com poucas vítimas por milhão. Entre eles está o Brasil, que se não estivesse destacado em outra cor seria mais um dos pontos indistinguíveis. Os motivos disso também ficarão para outro post.

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Óbitos por milhão em função da população e número de óbitos

Fonte: ECDC, Our World in Data, análises Aranez

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