quinta-feira, 16 de abril de 2020

Nossos vizinhos

As imagens de corpos nas ruas do Equador quebraram o silêncio da cobertura doméstica sobre a extensão da epidemia do coronavírus pela América do Sul. Uma ou outra notícia é publicada, mais para destacar algum aspecto pitoresco, como as multas na Argentina para  quem não usar máscaras do que para mostrar os números - quase 63 mil casos e 2,8 mil mortos.
Pelo tamanho de sua população, é normal que o Brasil lidere as estatísticas. Foi o primeiro país sul-americano a registrar um caso, mas o primeiro óbito ocorreu na Argentina. No intervalo de 18 dias, de 26 de fevereiro a 15 de março, foram registrados os primeiros casos em todos os países da região (até nas Falklands) e até o final do mês havia mortes por Covid-19 em cada um, exceto Suriname (primeiro óbito registrado em 4 de abril). Não há estatísticas da Guiana Francesa.




Com metade dos habitantes, o Brasil concentra 45% dos casos, mas 63% dos óbitos. No entanto, há uma subnotificação latente no Equador, percebida o olhos vistos nas ruas de Guayaquil. Só no último domingo o governo equatoriano retirou mais de 700 corpos de pessoas mortas nas últimas semanas de residências da cidade. Ainda assim, o Equador é o recordista em termos relativos, com 22 óbitos por milhão de habitantes - seguido pelo Brasil (8,2) e Peru (7,7), que registrou um salto de novos casos na última semana. Na ponta oposta aparece a Venezuela, com apenas 0,3 mortes por milhão de habitantes, em um total de nove - o mesmo número que o Uruguai e uma a mais que o Paraguai.
Comparados com os países da Europa, os números da região são até baixos. No entanto, pode ser ainda o estágio inicial da epidemia e o crescimento do número de registros um alerta.




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