quinta-feira, 7 de maio de 2020

Atualizando: Nossos vizinhos

Há três semanas comentamos aqui de como estavam os nossos vizinhos da América do Sul. E como estão hoje? Com exceção do Suriname, que segue com uma morte computada, e as Falklands, sem fatalidades, nos demais houve o crescimento do número de óbitos (em até 469% no caso do Peru).
Em termos de ranking, poucas alterações de posições. O Chile ultrapassou a Argentina, o Uruguai ficou à frente da Venezuela (estavam empatados), que foi alcançada por Guiana e Paraguai. Brasil, Equador e Peru que apresentavam o maior número de mortos foram os países com o maior crescimento proporcional (acima de 300% para todos eles). 


Fonte: ECDC, análises CORONAdiário
Nota: os círculos são proporcionais ao número de óbitos. 
Os círculos claros representam os óbitos de 16/04

Os países adotaram medidas restritivas, em grau variado e em datas diferentes, como mostra o stringency index, calculado pelo projeto Government Response Tracker da Universidade de Oxford.  Não há, porém, uma relação entre a dureza das medidas e os resultados. A Argentina é um dos países com menos restrições na região, mas apresenta uma taxa baixa de óbitos, enquanto o Peru e o Equador estão na situação oposta: amplas restrições, mas muitas vítimas. Um dos motivos é que não basta colocar no papel restrições draconianas se não houver um aparato capaz de garantir seu cumprimento. O Equador é um exemplo claro. Apesar das medidas legais duras, boa parte da população não as segue. Enforcement tem mais peso do que regras.


Outra ação importante é a aplicação de testes na população. Há os países que testam muito (apenas três: Venezuela, Chile e Peru) e os que testam pouco (os demais).
Outra divisão é em relação à taxa de óbitos por milhão: há um grupo com poucos mortos e outro com muitos (três países: Brasil, Peru e Equador). Há dois países que se destacam nesse critério: a Venezuela, com um número oficial de 0,4 óbitos/milhão e o Equador - acima de 90, tão díspar dos demais que no gráfico abaixo a escala teve de ser cortada para facilitar a visualização.


Da relação entre essas duas variáveis formam-se quatro grupos. Há o grupo que (I) testa muito e morre pouco (Chile e Venezuela), (II) que testa e morre muito (Peru), (III) que testa pouco e morre muito (Brasil e Equador) e (IV) o que testa e morre pouco (os demais). Alguns países podem testar pouco por terem poucos óbitos e estarem com uma situação controlada. Talvez seja essa a situação do grupo IV. Paraguai, Uruguai e Bolívia não chegam a uma centena de mortos. O grupo II costuma ser o caso de países envolvidos em uma epidemia que se alastra e começam a testar massivamente para estarem a par da situação.

Outra relação importante é entre a taxa de óbitos e o percentual de idosos na população, a parcela mais suscetível a sucumbir ao vírus. Três países sul-americanos têm mais de 10% de sua população com 65 anos ou mais, os três com baixa taxa de óbitos até o momento. Pode ser que seja ainda o início da epidemia ou pode ser que Chile, Argentina e Uruguai responderam de forma adequada.

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