Não é uma questão restrita a um país isoladamente, mas do mundo como um todo. Alguns países poderão sofrer menos do que outros, mas com a interdependência global, é difícil conceber algum desempenho extraordinário em um mundo estagnado, ao menos para economias de algum porte.
Há previsões e expectativas para todos os gostos. A consultoria McKinsey desenhou vários cenários, baseados em duas variáveis: (i) efetividade da reação do sistema de saúde e (ii) efetividade das medidas econômicas adotadas. No pior cenário concebido, a pandemia segue em escalada e sem recuperação econômica, com falhas na capacidade dos sistemas de saúde em conter sua expansão e intervenções sem efetividade na economia. No melhor cenário, o vírus é contido, as intervenções na economia são bem-feitas e há uma forte e rápida recuperação. Esta concepção otimista não é compartilhada amplamente. Armínio Fraga, por exemplo, traçou um cenário pessimista e foi enfático; "não vai haver recuperação em 'V' ", relatou o Brazil Journal.
V, U, L, W, qual será o comportamento da economia? As letras se referem ao desenho que o gráfico da atividade econômica terá ao longo do tempo.
O cenário dos sonhos é o "V": uma recuperação rápida, assim que a pandemia for controlada, com a reorganização das atividades e a volta à vida normal. A crise seria um hiato, com efeito curto e temporário.
Menos otimismo é visto no "U". Uma recuperação mais lenta, com dificuldades para se retomar as atividades, em função de interrupções nas cadeias de produção e nos fluxos financeiros. Há uma demora para as empresas conseguirem se reorganizar e a demanda é prejudicada por consumidores retraídos. Os efeitos da parada de atividades são sentidos por um período mais longo, com marcas que demoram para cicatrizar. O desemprego gerado é um dos fatores que retarda a recuperação.
O "W" é uma possibilidade ainda mais sombria. Há um breve período de recuperação, seguido por uma nova queda, antes de uma retomada. Uma história plausível para a materialização deste cenário é que as medidas para impulsionar a economia tenham fôlego curto e acabem gerando novas distorções e apreensões, como o aumento generalizado dos déficits públicos e medidas posteriores para saná-los. Seria o efeito de do uso inadequado de remédios e/ou doses aplicadas.
O "L" é uma hipótese ainda mais aterrorizadora. Não há recuperação no curto e médio prazo. Estabelece-se um "novo normal" em um patamar abaixo do vigente no período anterior ao coronavírus. Os efeitos da parada se prolongam, com dificuldade para uma retomada. Seria uma volta a 1929 - após o crash, a economia norte-americana demorou mais de dez anos para se recuperar.
Se o "L" parece assustador, há cenários ainda piores - pouco prováveis, mas depois que o petróleo atingiu cotações negativas na bolsa de Chicago ontem, até o improvável merece consideração.
O "S" é um dos cenários catastróficos. O gráfico da atividade econômica parece o raio da morte, com uma recuperação curta e pequena, seguida por uma nova queda profunda. Seria o resultado de medidas pouco efetivas, com a desestruturação das economias, atoladas em dívidas. O setor privado convive com calotes generalizados, em uma espiral de inadimplência. Governos altamente endividados perdem a confiança dos agentes econômicos. É o alçapão depois do fundo do poço.
Por fim, o "I". A economia entra em queda livre, com a pandemia sem controle e acumulando mortes ao redor do planeta. Há uma ampla e generalizada desestruturação das atividades econômicas. Seria o equivalente moderno da peste negra.
Esses dois últimos cenários beiram o inconcebível e espera-se que continuem apenas como roteiros de filmes B (ou Z) de terror.
Nenhum comentário:
Postar um comentário